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Friday, December 24, 2010

O Monstro da banca de jornal


     Gabriel não pôde deixar de lançar um sorriso por sobre os ombros ao me ver mais uma vez ali, parada, com mais um exemplar do Super Teen!. Confesso que sou fanática por essa revista de moda. Não que eu seja vidrada em moda, mas é um costume que trago no sangue.
     Os minutos se arrastavam e o jornaleiro tinha os olhos cravados em mim, e de repente o vi empalidecer. Eu, com as mãos estendidas para entregar-lhe o dinheiro, mas não me incomodaria se ele não quisesse recebê-lo. Num átimo, seus olhos revelaram algo que eu não sabia.
      Gabriel ignorou os meus protestos de ser logo atendida e, apenas, continuou encarando-me. Os olhos que por um instante queimaram-me como gelo. Nunquinha em toda a minha existência em bancas de jornais, vi um um jornaleiro ficar desse jeito.
      Depois de um breve momento, minha atitude foi de largar o dinheiro no balcão - infelizmente já estava contado, sem direito a troco. Voltei-me a Gabriel, dizendo, um tanto desnorteada:

     - O que foi, senhor Gabriel? - não nego que experimentei uma irritação subindo à cabeça. Eu nunca aceitei o fato de ser ignorada por alguém.
      - Vamos ler um pouco? - por fim ele falou. Sua voz era um tanto cavernosa.
      - Hã? - eu fui me afastando dele em direção à calçada.

       Inesperado, uma  língua absurdamente enorme revelou-se da boca do jornaleiro!
       Agarrou meus pés, colocando-me de cabeça para baixo. O sangue começou a subir para minha cabeça. As mãos dele foram tomando uma forma esquisita. Assemelhavam-se a de uma lagartixa.
       Estranhamente o corpo do Gabriel...
       Que horror. Eu quero a minha mãe!
       Tudo aconteceu demasiadamente rápido. Agora, eu estava dentro de um novo corpo. A visão e o ar, aos poucos, eram-me tomados.

1 comment:

  1. Tava sentindo falta dessas histórias....

    Bjs,

    Duh

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